Entre baldes, rodos e vidraças que nunca param de acumular poeira, dois operários suspensos a metros do chão enxergam a cidade por um ângulo que poucos têm acesso. Mas o que parece apenas um dia comum de trabalho logo se transforma em uma profunda reflexão sobre invisibilidade, desigualdade e o próprio sentido da vida. Esse é o enredo de “Andaime”, peça do dramaturgo Sérgio Roveri, que passou pelo palco do Teatro Renaissance e ficou na memória do público.
Dirigida por Elias Andreato e estrelada pelos talentosos Cláudio Fontana e Cássio Scapin, a montagem foi um verdadeiro retrato do cotidiano, com humor ácido e provocações inteligentes. E para celebrar os 25 anos do Teatro Renaissance, trazemos esse #TBT especial para lembrar como essa história marcou nossa trajetória.
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A comédia que fez rir e refletir

“Andaime” é daquelas peças que fazem o público rir, mas que deixam no ar uma inquietação. José Mário (Cláudio Fontana) e Claudionor (Cássio Scapin) são dois limpadores de janelas que passam os dias pendurados nos altos de um arranha-céu. Entre um pano passado e outro, eles observam a cidade e refletem sobre suas próprias existências.
A ironia começa na própria ambientação da peça: enquanto estão suspensos nas alturas, esses trabalhadores seguem invisíveis para aqueles que estão do outro lado do vidro, nos escritórios luxuosos da cidade. Eles falam sobre a possibilidade de robôs substituírem seus empregos, sobre como é ver os “bacanas” por cima, e sobre o que fariam se estivessem no lugar de um limpador de janelas durante o ataque às Torres Gêmeas.
E mesmo entre essas discussões, eles não perdem a rotina: fumam escondido do chefe, observam a academia do prédio e até tentam repetir os exercícios dos clientes endinheirados. Tudo isso com um tom de humor que, no fundo, escancara um problema real: a invisibilidade de tantos trabalhadores essenciais.
A ironia do palco e a realidade por trás da ficção
Curiosamente, os ensaios da peça aconteceram no Teatro Renaissance, um espaço de referência para o teatro paulistano e que, além de sua sofisticação, se tornou um lar para histórias que fazem pensar. O contraste era inevitável: uma peça sobre operários invisíveis sendo preparada em um dos teatros mais icônicos de São Paulo.
Mas é exatamente esse o propósito do Teatro Renaissance: trazer histórias que surpreendem, emocionam e transformam. E “Andaime” fez isso com maestria, mostrando que a dramaturgia brasileira tem força para abordar temas profundos sem perder a leveza e o humor.
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O Teatro Renaissance
Inaugurado em 1999, o Teatro Renaissance é um espaço cultural que abrange uma ampla gama de expressões cênicas. Sendo assim, ao longo dos anos, apresentamos teatro de prosa, teatro musical, música popular, música erudita e dança, oferecendo espetáculos com diversas temáticas e abordagens sobre as relações humanas.
Estamos localizados na Alameda Santos, 2.233, no bairro dos Jardins, em São Paulo e possuímos mais de 20 anos de história, proporcionando uma programação semanal com variadas apresentações em nosso palco.
Com uma capacidade para 440 pessoas, contando com 420 poltronas numeradas e oito espaços para cadeirantes (equivalente a 16 poltronas), nosso teatro acolhe um público diversificado e fiel.
Às sextas-feiras são marcadas por apresentações de stand-up comedy, atraindo fãs de humor para shows às 23h59. Nos fins de semana, é a vez de grandes atores e atrizes protagonizarem peças de dramaturgos de todo o mundo, proporcionando momentos marcantes em nosso palco. Fique por dentro dos nossos espetáculos seguindo o nosso perfil no Instagram e a nossa página no Facebook.