Fulvio Stefanini comemora 71 anos de carreira com reestreia do premiado espetáculo O Pai no Teatro Renaissance
Montada em mais de 30 países, peça escrita pelo francês Florian Zeller rendeu ao brasileiro o Prêmio Shell de melhor ator

Crédito: João Caldas Filho
Sucesso de público e de crítica, a premiada peça O Pai, escrita pelo francês Florian Zeller, já foi vista por mais de 200 mil pessoas em suas 400 apresentações desde a estreia em 2016.
A montagem brasileira, que é dirigida pelo seu filho Léo Stefanini, volta agora ao palco do Teatro Renaissance, a partir do dia 22 de maio, comemorando os 71 anos de carreira de Fulvio, que ganhou o prêmio Shell de melhor ator por este trabalho.
A montagem, que ainda levou os prêmios de melhor cenografia e espetáculo do ano, segue em cartaz com apresentações às sextas, às 21:30h.
Na trama, Stefanini interpreta André, um idoso de 80 anos, rabugento, mas extremamente divertido, que começa a enfrentar os efeitos do Mal de Alzheimer. Com a memória falhando, sua filha se vê diante de um dilema profundo: cuidar dele ou interná-lo em um asilo para seguir sua vida ao lado de um novo amor. A história se desenvolve com delicadeza, alternando momentos de humor e emoção, e tocando o público pela humanidade com que aborda as relações familiares.
O ator destaca que o personagem foge de estereótipos e cria uma conexão imediata com a plateia. “Não é toda família que tem um pai ou outro familiar com essa doença. O personagem André, mesmo sofrendo de Alzheimer, é alegre, inteligente e muito carismático. A plateia fica apaixonada por ele, com as coisas que ele faz, as suas reações. Inclusive, a filha dele enfatiza isso no decorrer da peça: ‘Meu pai é muito simpático’.”
Para o ator, “O Pai” também cumpre um papel de conscientização e acolhimento, mostrando a força do teatro como ferramenta de reflexão: “A pessoa que sofre dessa doença, até certo ponto, não sofre, ao contrário de quem tem que cuidar. Durante as apresentações, foi gratificante saber que a arte pode ajudar as pessoas a passarem por esse obstáculo.”
Com texto do francês Florian Zeller, “O Pai” já foi montado em mais de 30 países, sempre com grande repercussão. A obra ganhou novo impulso com sua adaptação para o cinema, dirigida pelo próprio autor e protagonizada por Anthony Hopkins, vencedora dos Oscars de Melhor Ator e Melhor Roteiro Adaptado. O sucesso internacional reforça a atualidade e a potência do texto, que segue conquistando diferentes gerações.
Completam o elenco Carol Gonzalez, Lara Cordula, Fulvio Stefanini Filho, Carol Mariottini e Leo Stefanini, contribuindo para uma encenação sensível e precisa.
Com carreira iniciada em 1955, na antiga TV Tupi, Fulvio Stefanini, de 86 anos, construiu uma trajetória sólida no teatro, no cinema e na televisão. Atuou em novelas de praticamente todas as emissoras do país e, na TV Globo, participou de produções marcantes como “Gabriela”, “Pátria Minha”, “Porto dos Milagres” e “Chocolate com Pimenta”. No cinema, esteve em filmes como “Absolutamente Certo”, “O Bem Dotado” e “Quincas Borba”.
“São 70 anos dedicados à arte, em que eu sempre trabalhei focado, com muita garra. Eu me emociono quando piso no palco e olho para a plateia. É algo maior que o frio na barriga. Talvez ela seja aquela coisa inusitada, mas, no meu caso, já não dá mais”, brinca o ator.
Divertido, sensível e profundamente comovente, “O Pai” é um espetáculo que emociona ao retratar, com delicadeza e humanidade, uma realidade presente em muitas famílias, reafirmando o poder do teatro de tocar, conscientizar e transformar.